De alguma forma, cada uma das pessoas naquele autocarro tinham algo nelas que fazia com que Joseph voltasse 12 anos atrás no tempo. Para ele esta era a única forma de manter a memória viva. A única memória que Joseph sabia que valia de facto a pena que continuasse a arder.
Cada vez se sentia mais fraco, a adormecer num sono tão profundo quanto o oceano, mas estava tão cansado de sonhar que não se atrevia a fechar os olhos.
A senhora no banco da frente tinha o cheiro dela, pensava. Na verdade, cada mulher que encontrava tinha o cheiro dela, o que o levava a pensar que já nada sabia. Durante toda uma vida, o universo uniu forças contra ele, excepto num momento: na noite em que lhe deu o sol. Mas talvez tivesse sido um ato de maldade, visto que logo anoiteceu. Este foi o primeiro momento em que Joseph sentiu uma lágrima no rosto, só não se lembra se foi por ter visto o dia, se foi por lhe o terem tirado.
Cada ano que ele procurava era menos um que tinha para procurar. Este pensamento apontava uma faca ao estômago de Joseph e deixava-o agoniado. O seu corpo velho estava agora tão dorido como enfeitiçado.
Por 12 anos Joseph procurou e por mais 12 ele vai procurar, ele sabe disso.
Os ouvidos só ouvem uma palavra;
Os lábios não esboçam sorrisos;
Os olhos só sonham um sonho;
As pernas levam-no aonde quer que seja;
A chuva não o impede;
O sol acaricia-lhe a face;
O cérebro só guarda uma memória;
O coração só arde durante toda a vida:
"Janis, hei-de encontrar-te, nem que seja a primeira coisa que eu faça numa outra vida."
Trindade
breathtaking, meu amigo. nunca desilude.
ResponderEliminargrande abraço