Se aí estão
Oiçam:
Sabes o que a noite e a música te reservam?
Nunca sabes o que a noite e a música te reservam.
Pega em mim e leva-me deste sítio,
Faz de mim um qualquer ser
Inerte que pegue no teu
Reflexo
E o atire ao rio,
Fazendo nas águas
Negras
Um ricochete
E outro depois desse.
Nunca sabes o que a noite e a música te reservam...
Hoje levou-me ao cais e não vi para além dos
Cadáveres.
Uma muralha do tamanho do meu
Horizonte
E maior com certeza.
Gravei o meu nome em cada um e fi-los
Levitar,
Marchar
Em direção à noite para que esta
Lhes dissesse o que reserva.
Nunca sabes o que a noite e a música te reservam!
Lancei ao céu da noite um par de sapatos
Velhos
Que escondiam os calos de uma
Vida.
Não me davam a reforma
Aos olhos de quem pensa que importa
Mas não.
Lancei-os e pedi-lhes que trepassem pelas paredes,
Que entrassem pela fechadura
Da porta e chegassem ao
Céu.
Lá ficaram, pela música,
E não regressaram enquanto não lhes fiz chegar a
Ordem,
Enrolada em
Chamas
Seladas com o aroma de uma qualquer guitarra,
Uma qualquer. Uma qualquer.
"A música não aceita reservas pela noite dentro", pontapearam.
Nunca sabes o que a noite e a música te reservam?
Nunca sabes o que a noite e a música te reservam!
Nunca sabes o que a noite e a música te reservam...
Trindade
26/07/2013
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