quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O velho que toca concertina na esquina não sabe. Ninguém sabe. Nem tu.

O cheiro da primavera que ainda não tinha chegado
Trouxe-mo a música
E as aves de rapina em voos clássicos,
Trépidos
E desesperados em certo modo.
Palavras pequenas,
Serenas.

De repente cansei-me
Da pontuação e deixei 
Que tomassem conta da minha imaginação
Tirem as regras e fica tudo de pernas para onde 
Devem estar
Para o ar
Este é o momento em que morres
Adormeces num adormecer pequeno
Numa faísca.
Sssssh...


Para o poeta é fácil matar.
Nem sequer é preciso esfaquear,
Estrangular ou
Abraçar.
A falta que um ponto final faz
Não se mede em agudas notas
Nem em folhas mortas.

Se gritares no fim
Grita por ti e por mim.

Trindade

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