quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Que se fodam os abismos

"Se estender a mão chego sequer a perturbar a tua atmosfera? E se a perturbo, é da maneira que tu sempre quiseste e continuas a querer? E se olhar para ti? Consigo sequer obrigar-te a olhar para mim? E se te sentes em algum momento obrigada, nem que seja pela tua consciência, será que olhas?"

A um passo do abismo, frio,
Estendo a mão
E não te sinto.
Todas as pedras que carrego no bolso
Encaixam-se longe do perfeito
Tão lá no fundo
Que nem a própria consciência as faz ver.
E eu continuo, cegamente,
A construir de novo o caminho
Que me leva até ti
E aos teus arrepios.
Se eu tiver força suficiente
Elevo uma ponte no ar,
Feita de algo
Que seja forte o suficiente para nos carregar
Aos dois.

"Se eu estender a mão chego sequer a perturbar o teu campo de visão? E se perturbar, vais sorrir ou cortar-me os pés? E se te tocar? Vais lá ficar, quieta e imperturbável? Ou vais cortar-me as asas?

A um passo do inverno, frio,
Estendo o corpo
E não me sinto.
Todos os pedaços de ti que quero carregar em mim
Encaixam-se e escrevem o perfeito
Tão lá no fundo
Que nem os meus olhos conseguem ver.
E tu continuas, de olhos bem abertos,
A olhar-me enquanto, sem mãos, construo algo
Que me leve até ti
E aos meus arrepios.
Se tu tiveres vontade suficiente
Elevo uma ponte no ar,
Feita de algo
Que seja forte o suficiente para nos carregar
Aos dois.

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