Em fila, nunca descansando
Nem deixando descansar,
Chegam-me as questões,
Os cigarros,
As voltas ao relógio,
Os copos de água sem sede,
Os pontos nos olhos,
As cambalhotas por aí,
As voltas à caneta e
As insónias.
Eu esta noite já fui tudo!
Soltas-te
Com a mesma facilidade que me prendes
E continuam as cambalhotas.
Esta noite já fui tudo
E já me dói o cérebro.
Dói-me o cérebro
Porque a ti não te doem os dedos!
Esta noite já fui tudo e
O silêncio corre-me pelas veias,
Quando uma dose letal de sussurros
Era tudo o que precisava
Para ter de volta o sono
E a sanidade.
Esta noite já fui tudo!
Já fui rei e mendigo,
Já fui homem e mulher,
Já fui quem escreve e quem lê,
Já fui quem mata e quem é morto,
Já fui opaco e transparente,
Já fui o trabalhador e o preguiçoso,
Já fui o conformista e o revoltado e
Já fui isto e aquilo.
Esta noite já fui tudo.
Trindade
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