Agora escrevo para ti, pois claro.
Escrevo para ti, para mim e
Escrevo para nós
Na esperança
Que cada individual corte que me faças
Não pare nunca de arder,
Nem caia em esquecimento.
Não pode, não pode, não pode!
É nestes dias que,
Como em todos os outros,
Me faz falta um chão que não me toque
E meu corpo orientado
Para a lua que te orbita.
Escrevo para ti, pois claro!
Escrevo por ti.
É nestes dias que,
Como em nenhum outro,
Abro as portas e deixo o frio entrar.
E que o vento me baloice em danças
Por entre as balas,
As facas e os beijos prometidos.
Foda-se...
Como se três ou quatro passos de dança
Impraticáveis
Fizessem o espetáculo...
Não, não pode!
Podíamos ser nós impraticáveis,
Levantar os aplausos,
Os gritos,
Os assobios,
As palmas,
Os mortos e
Aqueles que se fingem.
Uma ode não é suficiente!
Nem uma nem todas...
Os cães esfomeados uivam lá fora.
Somos nós uma medida de luz,
Uma de sonhos
E nem uma pitada de vontade.
Enquanto isto,
O cozinheiro envolve-nos,
Prova
E
Cospe!
"Anda lá, promete-lhe que a auto-destruição é improvável, senão vai acabar por se tornar inevitável, já devias saber... Promete-lhe que os teus pés nunca mais hão-de tocar o chão. Promete!
Promete-lhe...
Promete-me uma última vez
Que esta nunca há-de ser
A última vez
Que me prometes algo."
Enquanto a caneta chora,
Passeiam-se por aí secos os olhos,
Procuram-te e encontram-te a baloiçar,
Para sempre tão longe do meu empurrar.
Trindade
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