sábado, 12 de dezembro de 2015

Hoje acordei de noite

Não podes reparar que daqui
Até aí são mais que
Dois passos.

Fazes-te escuro e infinito,
Finges não olhar e tapas os ouvidos com seda.
Podemos assim gritar-te,
Atirar-te pedras e bons conselhos:
"Não amanheças tão depressa!
Deixa-nos dançar
Ou ficar quietos debaixo de ti,
Contemplar-te e quem sabe falar contigo.
Deixa os preguiçosos dormir mais um pouco
E os loucos gritar até mais tarde.
Deixa que uma ou duas estrelas morram
E mais duas ou três nasçam.
Cresce e não pares de crescer!
Cresce até que cada átomo deste
Nosso insignificante corpo
Se separe por mais que
Dois passos
E deixemos de ser.
Faz com que os passos não tenham sequer significado.
Esquece e destrói o tempo.
Faz-te mais que infinito!"

Hoje acordei de noite
E soube-me a uma manhã triste.

Trindade

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