Libertas da tua aura o calor
De mil e um beijos de um fim
E chamas-me à atenção para
Os sinais que fazes quando me desejas
Como ontem ao amanhecer.
O pôr do sol ilumina o velho
E traz-lhe à nostalgia a recordação
Daquilo que nunca lhe aconteceu.
As ferramentas de uma vida
Sentem-se calejadas e
Já nem reconhecem o livro
Que exploram pela milésima e uma
Primeira vez.
O banco que lhe suporta a idade
Já o conhece como ninguém,
E entretanto a sombra que o protege
De quem já o viu morrer
Mil vezes e espera pela próxima,
Afasta-se e junta-se a eles.
A pausa para as três inspirações
No cachimbo que já viu a guerra
Que era de todos menos dele,
É sagrada e serve-lhe de oração
Aos antepassados que inundaram,
Como ele,
Os velhos pulmões do relaxante
E assassino fumo.
Os óculos que não o ajudam
A ver o mundo como ele não é
Mas devia ser,
Já não fazem justiça aos olhos
Que o guiam para o final,
Tão feliz como o início.
Nada.
Sinto tanta inveja
Que acaba por se tornar viciante
Seguir e retocar
Cada erro que tenha cometido em vão.
Enquanto a tua aura adormece
No ombro do momento
Exatamente a seguir ao sexo,
Eu acendo o cigarro
Que me polui de forma tão bonita
Como o cachimbo do velho.
Penso que não viverei
Nem metade daquilo que devia
E brindo com água aos velhos
Que me contam histórias com um olhar.
Trindade
uma tarde no jardim
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