As janelas que me transfiguram os olhos
Abriram-se outra vez.
Uma nova brisa.
Vem sempre uma nova brisa
Que me afasta o cabelo para o precipício.
Bêbado. Acordei outra vez
Bêbado.
Bebo sempre mais que um estômago vazio.
Vazio de casulos que me tragam espíritos.
Que desta vez eles trouxessem asas.
Só peço por umas asas
Que me deixem aqui deixar os sapatos.
Queria um dia que eu e o meu corpo
Voássemos por aqui
E por aí, onde o sol nem sempre brilha.
O problema dos sóis infinitamente brilhantes é não deixar que, no fim, os nossos olhos se habituem à nossa própria luz.
Trindade
09/10/2013
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