terça-feira, 19 de agosto de 2014

Costumava ir às feiras populares em criança

A criatura que vês quando acordas traz espelhos? Faz-te lembrar quantas espécies de aves? Sabe a céu? Desce leve ou finge-se de pesada?
Eu com isto quero perguntar-te se a loucura é minimamente aceitável no sítio de onde vens e para onde vais. E se não for promete que me cortas as mãos para que nunca mais te tente alcançar.
O que é que eu estou para aqui a falar?! Queria antes perguntar-te se a música que ouves é negra, se vem do mesmo claustrofóbico sítio que a minha arte. Ouve-se do outro lado da estrada? Sente-se nos ossos ou nos músculos?

(...)

As pinturas que fazes enquanto mergulhas em mim comprava-as por milhões de inspirações profundas. Mostram parte da tua beleza e um tanto ou quanto de arrepio.

(...)

Dá-me um nome que eu possa gritar enquanto durmo e culpar as noites mal passadas. Deixa-me agarrar a algo que seja teu e um dia sofra, e que para isso não me cortes as mãos. Não me cortes as mãos. Eu não sou louco! Se pensares que a lucidez foi inventada por quem nos quer mal eu não sou louco.

(...)

Falham-me as pernas e caio. Falha-me o pensamento e deixo de saber o que falar. Se eu estiver calado por mais que milhões de inspirações profundas, promete que fazes com que eu grite.

Trindade

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