Anda por aí perdido a martelar o chão sujo. Quase tão sujo quanto o seu cabelo, quase tão sujo quanto as suas mãos sujas de sangue alheio.
Com elas já não pode. O peso do sofrimento puxa-o para baixo, faz-lhe estremecer os ossos e cerrar os olhos. Tira-lhe dos ombros a dor que impingira noites e noites sem conta, mas não o deixa dormir.
Com elas já não pode. O peso do sofrimento puxa-o para baixo, faz-lhe estremecer os ossos e cerrar os olhos. Tira-lhe dos ombros a dor que impingira noites e noites sem conta, mas não o deixa dormir.
Um copo de chá quente, uma mão cheia de calor e uma qualquer conversa fiada ao longo de um sorriso roubado de livros antigos. Eram estas as coisas por que ele matava. Não sabia bem porquê nem como lhe surgia aquele bicho. Sabia só que lhe comia as entranhas, deixando apenas a aparência: Um qualquer velho abandonado na estrada, talvez por a viagem ser maior que os seus passos, ou talvez por os seus passos bêbados não o conseguirem manter na mesma estrada duas noites seguidas.
Oh, quantos trapos desperdiçados a limpar da lâmina o suor de um rasgão mal planeado! Metódico e imparcial flutua barulhento sem avisar. Sopra no ouvido e liberta o calafrio, o arrepio e momentos mais tarde o suspiro.
"Em noites sem lua e sem estrelas não há o perigo de ver que os olhos brilham de dor. E só deus sabe o que me assusta mais que um brilho de olhos."
Trindade
Sem comentários:
Enviar um comentário