O som começa lento e
Faz os meus ouvidos derreter uma
E outra vez.
Por ali
Dançam inconscientes as mulheres.
Vão com as mãos cheias de preocupações e
Lágrimas controladas
Pela força de muitos anos.
Dançam com elas os seus espiritos
Em voos nunca antes vistos,
Traçando no ar histórias por contar.
Ficam por aquelas águas tantas vontades,
Tantas pressas de chegar,
Tantas lágrimas,
Tantas feridas...
No sítio onde os loucos
Não se distinguem dos insanos,
Gritam em silêncio as almas que se perderam.
Sente-se o cheiro da esperança
Mergulhada na pele daqueles que
Quietos olham as águas.
Sente-se a presença do inexplicável
Mas nem assim se procura uma explicação!
Ficam ali
Quietos,
Calados sob tantos barulhos,
Insuportáveis para uns e
Indispensáveis para outros.
São estes os que aqui,
Na Ribeira das Naus,
Molham os pés na água fria.
Procuram encharcar a alma e
Lavá-la de dor,
Mas não levam mais que o desprezo alheio,
Um copo cheio de saudade
E uma quantidade incerta de passos
Na direção errada.
Trindade
Sem comentários:
Enviar um comentário