Enquanto fico aqui
Não se move um milímetro que seja
O meu corpo.
Queria ele que o visses aqui quieto e o tirasses desta inércia,
Ou talvez que aqui ficasses quieta com ele,
Ou então que, num furação de folhas secas e lugares impossíveis,
Pudessem os dois dançar
Em piruetas e cambalhotas,
Tal como mostram no cinema.
Aquelas impossíveis, sabes?
Impossíveis mas que, já que posso voar até onde estás,
Quem sabe...
Então eu voo.
Então eu voo
E vou até onde estás
Num só salto que seja.
E então tu baloiças.
Os dedos encolhem-se de paranóia
E continuas por aí.
E baloiças.
Se ao menos soubesses quantas vezes saltei
E contei cada grão de areia dessa praia...
Talvez percebesses que o sol que te queima a pele
É o mesmo que me queima os olhos.
Tu deixa que os queime
E que faça deles gelatina
E que andem por aí moribundos
E que te procurem
E que eventualmente te encontrem
Enquanto baloiças!
E tu baloiças, e baloiças.
Quem sabe essas cambalhotas não se tornem hábito
Ou não façam de nós uma confusão.
Quem sabe?
Quem sabe não fiquemos presos neste baloiçar
Que sempre foge à regra geral.
"O nível de tristeza é inversamente proporcional à velocidade com que nos empurramos um ao outro"
E eu bem sei que dou voltas e voltas e mais voltas.
Aquelas voltas tal como mostram no cinema.
Aquelas impossíveis, sabes?
E o chão continua a estremecer debaixo do nossos pés e isso acalma os nossos corpos.
E tu baloiças,
E eu baloiço.
Trindade
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