sexta-feira, 29 de março de 2013

Nódoas Negras Por Trocos


Encontra-las aí onde estás.
Levam a vida que ninguém deseja,
A única saída, a última esperança
Por um pedaço de pão que seja.

O fumo dos cigarros
Que queimam em círculos perfeitos
A cada inspiração de ânsia
Entra pelas narinas dos homens famintos.

Fazem por uns míseros trocos
O que só por amor devia ser feito.
Ninguém, nem os que lhes pagam
Lhes têm respeito.

Cada sinal, cada piscar de olho,
Cada aceno de nota, cada tilintar de chave,
Cada som de buzina de carro
Alarma-as para mais uma noite de função.

Mais uma noite sem futuro algum,
Mais uma cicatriz na alma,
Mais uma nódoa negra por um bêbedo insatisfeito,
Mais uma nota pequena no bolso roto.

A noite ainda vai curta, mal começou...
Ainda há muito que trabalhar e pouco que receber.

Encontra-las em cada esquina,
O reflexo da lua ilumina a pele despida,
O rebentar da pastilha elástica soa
E o fumo dos cigarros que devoram denuncia-as.

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