Pena como arma,
Palavras como balas mortíferas,
Verdadeiras.
Outras falsas,
Apenas cartuchos de pólvora seca.
Atiro diretamente à minha própria alma.
Miro exatamente no centro.
Tem que ser limpo.
Soa o gatilho
E o baque é surdo.
Eleva-se o absurdo som do silêncio.
Tiro certeiro
Mas de ineficaz efeito.
Era pouca a tinta.
Sem tinta de nada valem as palavras.
A tinta é a prova,
Prova de que as palavras se fizeram soar.
As mãos já calejadas
Conjugam-se com a falta de tinta.
Amanhã,
Quando os calos não arderem
E a tinta for abundante,
Ensoparei bem a minha pena
E cravarei bem na minha alma palavras de verdade.
Trindade
02/02/2012
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