Assim que Joseph saiu à rua inspirou três vezes. Três vezes o céu lhe soube a mar.
Naquele dia acordou com uma dor de cabeça que lhe queimava o bem estar e um mau hálito que o afastava dali. A sua roupa cheirava a cinzeiro, vinho e perfume de mulher. Rosas. Ou então tulipas. Eram flores, isso ele sabia.
Sentia-se hipnotizado por entre toda aquela imundice. Sentia-se louco.
Fazia gestos pesados e disformes enquanto perguntava às pessoas o paradeiro de tal mulher. As suas unhas grandes e sujas assustavam toda a gente. O cabelo e a barba faziam dele um qualquer sem abrigo, nojento, doente, perigoso.
Toda a gente corria para lugar nenhum, na pressa de mais um dia, mas Joseph não tinha para onde correr. Joseph correu. Correu e correu.
Parou de correr no momento em que os seus olhos brilharam.
Inspirou três vezes. Três vezes o céu lhe soube a flores.
Olharam-se, amaram-se, perderam-se. Eram ali eternos, infinitos, um.
Gritaram, lutaram, morreram. No chão caiam pequenas gotas de sal. O som que faziam era ensurdecedor. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHH!
Joseph inspirou três vezes. Três vezes o céu lhe soube a apocalipse.
Antes de tudo, deixou de sentir. Já não sentia o vento frio que antes lhe queimava os olhos, não sentia o nó que lhe tinham dado no estômago, não sentia os risos, não sentia os olhares... Não sentia nada para além da corda rugosa que lhe envolvia o pescoço.
Joseph suspirou três vezes. Três vezes os suspiros lhe soaram a apocalipse.
Trindade
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