domingo, 10 de novembro de 2013

Tempos Curtos

   Os tempos, tal como os próprios relógios, nunca me gritaram. Nunca me pontapearam nem sequer me acariciaram. Deviam avisar previamente que ele passa e não abranda nem para eu passar.
   Sou eu quem controla a minha própria bola de fogo. Era eu quem devia medir o tamanho do meu próprio céu para evitar tropeçar nele.
   Os dias voam pior que as noites, de facto.
   Os dias nem voam. Os dias planam por aí, majestosos aos olhos cegos.
   A noite cegou-me para me deixar sentir, mais uma vez, a máquina que me industrializa. Cegou-me para me deixar ver a própria cegueira e a pouca diferença que faz. Ridicularizou-me perante a minha própria imagem, insignificante, pequena, negra,cega outra vez.
   Quero encher um copo de sangue perigoso, bebê-lo, arrotá-lo satisfeito e gritar ao universo que aquele era o sangue que nos restava, noite.

carlos

Sem comentários:

Enviar um comentário